Poesia - Sergio Lima Nascimento

AMOR DISTANTE

 

A espera é infinita
a certeza, recolhida
em via constrita,
do calor, do êxtase,
mas contida, reprimida
de explosão aflita!
Coberta de cores e adornos
sua figura me fita
Minh´alma não acredita
Coração se precipita
Pulsa forte, regurgita
ilusão de imagens e sonhos...
 
Pudera eu cavaleiro
vencer moinhos e sombras
construir caminhos e pontes
roubar-te de castelo importante
cobrir-te de perfumes e sedas
descobrir o tesouro que escondes...
 
Quisera eu bandoleiro
juntar notas em sublime apelo
palavras fáceis, mas com desvelo
contar histórias de sempre e de antes
tecer canções que cubram sua fronte
de gotas salobras, ruborizantes...
 
Devera eu, engenheiro
desenhar abrigo a suas utopias
esculpir em ouro suas fantasias
modelar versos em música macia
embaraçar linhas de todos novelos
harmonizar fios do desejo errante...
 
Mas deixo oculta essa paixão distante
Sujeito a broto, flor e fruto
Quem sabe amanhã, quem sabe antes
Enredo de história correta
Por mais magnetismo que desperta
ao desabrochar na hora certa.
 
Imperioso estar alerta!
Postar-se no caminho que a flecha acerta!
E deleitar-se com nova descoberta,
da inspiração nesses versos repleta!
Mas com cautela aguarda,
não se oferta...
 
...e delicadamente
a guarda
misteriosa
anônima
velada
 
exclusiva
Encoberta!